Tive que me afastar. Tive que sumir e mudar tudo. Não queria mais aquela sensação ruim a qual havia me acostumado. Não queria encarar seu rosto e ter que fingir. Queria falar, queria xingar, queria colocar tudo pra fora. Mas não conseguia. Não podia fazer isso. O que eu podia fazer era desaparecer e fingir de longe. Dizer que está tudo bem sem olhar nos olhos é fácil.
Não deixei de pensar nela, mas era diferente, sabe? Não queria ser rejeitado de novo, e as coisas apontavam pra isso.
Acredito que fiz de forma inconsciente. Por muito tempo pensei que tinha feito errado, que tinha feto merda. Fiz errado mesmo, confesso; e percebi o tamanho daquilo somente anos depois. Mas não, não fiz aquilo por nada. Demorei a perceber que foi apenas uma reação pra uma série de ações que me atormentavam.
Ninguém cobrava nada de ninguém, mas queria cobrar. Ou não precisar cobrar; podia ser natural como era pra mim.
A roupa foi lavada, mas parece às vezes que algo continua sujo. As lembranças daquela época são embaçadas, não entendo. Quando me vem a cabeça vejo sempre um borrão em meio a flashes de momentos bons, dias felizes. Sei lá. Mas aí vem as merdas. Acabo pensando no momentos ruins, nas noites que deram errado, nas pessoas envolvidas.
Tenho um enorme carinho por aqueles momentos. Às vezes penso naqueles meses e apago tudo de ruim que sentia, seja lá por qual motivo fosse.
Lembro de todo o trajeto do primeiro dia até o grande final. Lembro da segunda vez. Lembro muito de um dia chuvoso debaixo de uma árvore minúscula. Lembro de um dia que era feriado só pra mim, e pude tirar o dia pra ver quem eu queria. Lembro de um aniversário que fui embora muito cedo. Lembro quando conheci pessoas da família e quase me enterrei no chão de vergonha. Lembro da flor.
Por algum tempo eu pensei que poderia ter sido algo mais. Não por agora, tanto faz agora. Mas por antes mesmo. Falando assim parece que ainda quero algo aconteça, e não tem nada a ver com isso. É só uma coisa que eu lembro com carinho.
Mas não era pra ser, simples assim. Foi bom do jeito que foi.
E não tenho mágoa de nada. Só não consigo encarar com naturalidade como tudo é agora.
Sei lá porque eu tô falando disso. Eu sou bobo.
E as coisas são melhores quando eu fujo. É melhor pra mim mesmo.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Renovar
Eu sou meio idiota com algumas coisas. Não que essas coisas me incomodem tanto, mas às vezes acabo esperando demais, e depois me contento.
E depois eu me sinto idiota por isso. Ninguém sabe que eu fui, mas eu sei que eu fui, e é uma merda.
Mas foda-se. Cada um tem o seu motivo. Sabe quando tanto faz?
Hora de renovar.
Acho que mudei um pouco nos últimos meses, sei lá.
Enfim, última semana por aqui. Vida nova chegando.
E depois eu me sinto idiota por isso. Ninguém sabe que eu fui, mas eu sei que eu fui, e é uma merda.
Mas foda-se. Cada um tem o seu motivo. Sabe quando tanto faz?
Hora de renovar.
Acho que mudei um pouco nos últimos meses, sei lá.
Enfim, última semana por aqui. Vida nova chegando.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
São Carlos
Fui pela primeira vez para a cidade que ficarei nos próximos 5 anos.
E só tem gente fina!
E só tem gente fina!
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Alívio
Leve e livre!
Tudo como planejado, mais uns dias e sou oficialmente um universitário.
Parecia que não era verdade. Porra, ver meu nome lá não tem descrição.
Posso dormir tranquilamente agora. Um alívio sem tamanho!
Tudo como planejado, mais uns dias e sou oficialmente um universitário.
Parecia que não era verdade. Porra, ver meu nome lá não tem descrição.
Posso dormir tranquilamente agora. Um alívio sem tamanho!
domingo, 31 de janeiro de 2010
Inexistente #3
Sentia algo muito familiar, como se já tivesse visto ela em algum lugar. Pra estar andando por ali naquela hora ela com certeza era do bairro, mas não sabia se já tinha visto. Não conhecia muita gente com idade próxima da minha na nossa vizinhança. O lugar era constituído basicamente de idosos e recém-casados, com filhos bem pequenos ou nem isso. Era um lugar perfeito para velhinhos e crianças, já que o trânsito era quase zero e havia policiamento direto devido ao alto nível das residências.
Pra mim sempre foi péssimo, pois não queria calmaria e não tinha idade pra pegar o carro e ir aonde tinha movimento. Dependia das minhas pernas pra sair dali na maioria das vezes, ou da carona dos meus pais quando tinha sorte e aproveitava o caminho deles pra sei lá onde. Até que foi bom, aprendi a me virar. Andava pra todo lado não importando a hora, enquanto a maior parte dos meus amigos ficariam completamente perdidos se fossem jogados a pé há dois quarteirões de suas casas. Dois é um pouco de exagero, mas em alguns casos era bem isso mesmo.
Mas enfim a dúvida passou. Não havia o que dizer depois daquele olhar. Era inconfundível. Não pensei duas vezes pra seguir pela direção que ela ia, tinha que confirmar aquilo. Será que era mesmo?
Fui andando um pouco apressado e desci na outra esquina em direção à rua em que ela estava. A luz não tinha voltado ainda, mas era incrível como a lua fazia o trabalho perfeitamente. No meio da rua que descia eu vi ela virando a outra esquina. Gelei com aquela imagem, ela era mesmo. Ela estava diferente, havia crescido. Alguns anos passaram mas a essência ainda era a mesma.
Diminui o meu passo, e aos poucos nos aproximávamos. Paramos a uns 5 metros de distância um do outro.
- Alice? - perguntei, ainda com uma certa insegurança.
- Você não esqueceu mesmo! - disse ela com um sorriso tímido.
Não poderia nunca imaginar o que aquele passeio me reservava. Corri até ela e a abracei forte. Ela ainda tinha o melhor abraço da minha vida.
Pra mim sempre foi péssimo, pois não queria calmaria e não tinha idade pra pegar o carro e ir aonde tinha movimento. Dependia das minhas pernas pra sair dali na maioria das vezes, ou da carona dos meus pais quando tinha sorte e aproveitava o caminho deles pra sei lá onde. Até que foi bom, aprendi a me virar. Andava pra todo lado não importando a hora, enquanto a maior parte dos meus amigos ficariam completamente perdidos se fossem jogados a pé há dois quarteirões de suas casas. Dois é um pouco de exagero, mas em alguns casos era bem isso mesmo.
Mas enfim a dúvida passou. Não havia o que dizer depois daquele olhar. Era inconfundível. Não pensei duas vezes pra seguir pela direção que ela ia, tinha que confirmar aquilo. Será que era mesmo?
Fui andando um pouco apressado e desci na outra esquina em direção à rua em que ela estava. A luz não tinha voltado ainda, mas era incrível como a lua fazia o trabalho perfeitamente. No meio da rua que descia eu vi ela virando a outra esquina. Gelei com aquela imagem, ela era mesmo. Ela estava diferente, havia crescido. Alguns anos passaram mas a essência ainda era a mesma.
Diminui o meu passo, e aos poucos nos aproximávamos. Paramos a uns 5 metros de distância um do outro.
- Alice? - perguntei, ainda com uma certa insegurança.
- Você não esqueceu mesmo! - disse ela com um sorriso tímido.
Não poderia nunca imaginar o que aquele passeio me reservava. Corri até ela e a abracei forte. Ela ainda tinha o melhor abraço da minha vida.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
A explosão que não vem mais
Alice me ligou. Estava furiosa. Não atendi, mas sei que estava. Não fiz o que combinamos, e não por que esqueci ou porque quis fazer algo melhor. Não fiz porque não quis, simples assim. Não quis ouvir sua voz descontrolada e suas expressões de raiva e reprovação. E também não quis atender e ouvir um descontrole agora acumulado. Já conhecia todo o discurso, e agora era pior. Ela sabia que eu não ia atender e que não me incomodaria nem um pouco com o telefone tocando o dia todo, e eu também sabia que ela não ficaria só nisso.
Eram umas 5 da tarde ainda, mas o sol já havia sumido há tempos por causa do tempo feio que havia se formado. O mundo caía lá fora e a minha vida caía junto, e eu permanecia jogado no sofá sem fazer nada. Não queria pensar, não queria agir. Não queria nem fugir, só queria evitar que tudo fosse pelos ares de vez. Mas agora não teria como. E isso era uma grande merda.
A campainha tocou. Ela tinha a chave, mas mesmo assim tocou a campainha. Ela queria me forçar a encarar a situação. Não bastava entrar e vomitar tudo pra um corpo sem ação, como se fosse uma mãe nervosa que é ignorada até que a raiva passe. A raiva já tinha passado, e o que vinha agora era pior que isso.
Estava ouvindo um CD gravado por ela. Eram suas músicas favoritas de bandas que os dois ouviam, e naquele momento tocava Baba O'Riley do Who. Levantei e fui andando descalço até a porta com um copo de Jack na mão. Apenas abri a porta e dei a volta sem chegar a olhar pro seu rosto.
- Eu não aguento mais isso. - disse ela em voz calma e séria.
Continuei como se não tivesse ouvido nada. Enchi o copo e coloquei mais gelo, e sentei no sofá. Fiquei um pouco inclinado, com o copo entre as pernas e os olhos fechados, viajando com o solo de violino da música.
Acho que a cada segundo eu fazia algo que deixava Alice mais furiosa. Ela devia estar engasgada com tanta coisa pra falar, e eu não dava nem brecha pra ela começar. Eu ficaria bem puto se fosse comigo, mas não era por maldade. O lance é que estava esgotado - completamente -, e não conseguia falar nada que tivesse alguma relação com aquela merda toda.
Ela estava de pé e não muito próxima de mim. Olhei pra ela pela primeira vez, com um olhar meio vazio e a boca meio torta - costume de quando algo está errado e não sei o que dizer -, e dei tapinhas no sofá pra que ela sentasse do meu lado.
O clima estava pesado demais, mas metade de mim estava leve. Eu não consigo dar atenção a esse tipo de problema: uma coisa tão pequena que se torna cíclica e nada mais resolve. Ignoro tudo e me foco em qualquer outra coisa à minha volta. Um tanto infantil, mas é assim. Não adianta mais remendos aqui e ali, não adianta soluções pequenas e temporárias. Não adianta nada disso.
Começava Time. Parecia que a música deixava o clima ainda mais incerto com aqueles sons perdidos no nada enquanto a bateria se aquecia pra explodir a qualquer momento.
Abri a boca pela primeira vez.
- Sabe, quando eu era menor e ouvia esse início, eu pirava com os relógios. E depois eu ficava contando cada vez que a bateria ameaçava entrar com o verso. Eu ficava até meio incomodado, nunca sabia quando a música ia começar de verdade. Depois de alguns anos eu parei com isso e passei a aproveitar o momento. Parei de pensar quanto tempo ainda faltava. Sei lá, eu acho que percebi isso quando eu vi que me surpreendia quando vinha o toque final e entrava a voz com os outros instrumentos. Foi lindo, sabe? Sei lá, aqueles segundos de início passaram a ser horas. É como naqueles momentos em que você olha pra pessoa que você ama e fica com a porra da boca calada por sei lá quanto tempo, e você tem a certeza de que aquele é o lugar que você quer estar. Seja por alguns segundos, aquele lugar com aquela pessoa é o único lugar no mundo certo pra você. Nada mais importa. Sem palavras, sem mágoas, sem lembranças. É aproveitar o momento, sabe? Sentir que os segundos viraram horas. E depois aproveitar a explosão.
A música veio com tudo, e logo veio aquela guitarra maluca pra tomar conta da minha cabeça. Ela não se manifestou.
- Acho que a gente voltou ao incômodo de ficar esperando a hora da explosão. E aconteceu que ela nunca mais veio. É triste, mas é a verdade. - dei uma pausa e continuei. - Você me completa, sabe? Você sabe que sim. Mas a gente tá fazendo isso do jeito errado.
- E como é o certo? - ela perguntou.
- Não sei não, mas é algo bem diferente disso. - disse olhando pro chão. - Isso aqui tem que acabar.
"This is a song about innocence lost."
É o que era dito antes da próxima música, e se encaixava muito bem naquela situação.
- Parece que a gente cresceu demais. - concluiu ela.
Não disse mais nada, mas aquilo era verdade. Só que a gente demorou a entender isso.
Eram umas 5 da tarde ainda, mas o sol já havia sumido há tempos por causa do tempo feio que havia se formado. O mundo caía lá fora e a minha vida caía junto, e eu permanecia jogado no sofá sem fazer nada. Não queria pensar, não queria agir. Não queria nem fugir, só queria evitar que tudo fosse pelos ares de vez. Mas agora não teria como. E isso era uma grande merda.
A campainha tocou. Ela tinha a chave, mas mesmo assim tocou a campainha. Ela queria me forçar a encarar a situação. Não bastava entrar e vomitar tudo pra um corpo sem ação, como se fosse uma mãe nervosa que é ignorada até que a raiva passe. A raiva já tinha passado, e o que vinha agora era pior que isso.
Estava ouvindo um CD gravado por ela. Eram suas músicas favoritas de bandas que os dois ouviam, e naquele momento tocava Baba O'Riley do Who. Levantei e fui andando descalço até a porta com um copo de Jack na mão. Apenas abri a porta e dei a volta sem chegar a olhar pro seu rosto.
- Eu não aguento mais isso. - disse ela em voz calma e séria.
Continuei como se não tivesse ouvido nada. Enchi o copo e coloquei mais gelo, e sentei no sofá. Fiquei um pouco inclinado, com o copo entre as pernas e os olhos fechados, viajando com o solo de violino da música.
Acho que a cada segundo eu fazia algo que deixava Alice mais furiosa. Ela devia estar engasgada com tanta coisa pra falar, e eu não dava nem brecha pra ela começar. Eu ficaria bem puto se fosse comigo, mas não era por maldade. O lance é que estava esgotado - completamente -, e não conseguia falar nada que tivesse alguma relação com aquela merda toda.
Ela estava de pé e não muito próxima de mim. Olhei pra ela pela primeira vez, com um olhar meio vazio e a boca meio torta - costume de quando algo está errado e não sei o que dizer -, e dei tapinhas no sofá pra que ela sentasse do meu lado.
O clima estava pesado demais, mas metade de mim estava leve. Eu não consigo dar atenção a esse tipo de problema: uma coisa tão pequena que se torna cíclica e nada mais resolve. Ignoro tudo e me foco em qualquer outra coisa à minha volta. Um tanto infantil, mas é assim. Não adianta mais remendos aqui e ali, não adianta soluções pequenas e temporárias. Não adianta nada disso.
Começava Time. Parecia que a música deixava o clima ainda mais incerto com aqueles sons perdidos no nada enquanto a bateria se aquecia pra explodir a qualquer momento.
Abri a boca pela primeira vez.
- Sabe, quando eu era menor e ouvia esse início, eu pirava com os relógios. E depois eu ficava contando cada vez que a bateria ameaçava entrar com o verso. Eu ficava até meio incomodado, nunca sabia quando a música ia começar de verdade. Depois de alguns anos eu parei com isso e passei a aproveitar o momento. Parei de pensar quanto tempo ainda faltava. Sei lá, eu acho que percebi isso quando eu vi que me surpreendia quando vinha o toque final e entrava a voz com os outros instrumentos. Foi lindo, sabe? Sei lá, aqueles segundos de início passaram a ser horas. É como naqueles momentos em que você olha pra pessoa que você ama e fica com a porra da boca calada por sei lá quanto tempo, e você tem a certeza de que aquele é o lugar que você quer estar. Seja por alguns segundos, aquele lugar com aquela pessoa é o único lugar no mundo certo pra você. Nada mais importa. Sem palavras, sem mágoas, sem lembranças. É aproveitar o momento, sabe? Sentir que os segundos viraram horas. E depois aproveitar a explosão.
A música veio com tudo, e logo veio aquela guitarra maluca pra tomar conta da minha cabeça. Ela não se manifestou.
- Acho que a gente voltou ao incômodo de ficar esperando a hora da explosão. E aconteceu que ela nunca mais veio. É triste, mas é a verdade. - dei uma pausa e continuei. - Você me completa, sabe? Você sabe que sim. Mas a gente tá fazendo isso do jeito errado.
- E como é o certo? - ela perguntou.
- Não sei não, mas é algo bem diferente disso. - disse olhando pro chão. - Isso aqui tem que acabar.
"This is a song about innocence lost."
É o que era dito antes da próxima música, e se encaixava muito bem naquela situação.
- Parece que a gente cresceu demais. - concluiu ela.
Não disse mais nada, mas aquilo era verdade. Só que a gente demorou a entender isso.
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